Crônicas


APELIDOS
– Se Adriana, Silvana, Débora e Luciana vão almoçar juntas, elas chamarão umas às outras de Dri, Sil, Dé e Lu.
– Se Leandro, Carlos, Roberto e João saem juntos, eles afetuosamente se referirão uns aos outros como Gordo, Cabeção, Rato e Negão.

COMENDO FORA
– Quando a conta chega, Paulo, Carlos, Roberto e João jogam na mesa R$ 20,00 cada um, mesmo sendo a conta apenas R$ 32,50. Nenhum deles terá trocado e nenhum vai ao menos admitir que quer troco – logo o troco será convertido em saideiras.
– Quando as garotas recebem sua conta, aparecem as calculadoras de bolso e todas procuram pelas moedinhas exatas dentro da bolsa.

FILMES
– A idéia que uma mulher faz de um bom filme é aquele em que uma só pessoa morre bem devagarzinho, de preferência por amor.
– Um homem considera um bom filme aquele em que muita gente morre bem depressa, se possível com balas de metralhadora ou em grandes explosões.

DINHEIRO
– Um homem pagará R$ 2,00 por um item que vale R$ 1,00, mas que ele precisa.
– Uma mulher pagará R$ 1,00 por um item que vale R$ 2,00, mas que ela não precisa.

BANHEIROS
– Um homem tem seis itens em seu banheiro: escova de dentes, pente, espuma de barbear, barbeador, sabonete e uma toalha de hotel.
– A quantidade média de itens em um banheiro feminino é de 756. E um homem não consegue identificar a maioria deles.

DISCUSSÕES
– Uma mulher tem a última palavra em qualquer discussão.
– Por definição, qualquer coisa que um homem disser depois disso, já é o começo de uma outra discussão.

FUTURO
– Uma mulher se preocupa com o futuro até conseguir um marido.
– Um homem nunca se preocupa com o futuro até que consiga uma esposa.

MUDANÇAS
– Uma mulher casa-se com um homem esperando que ele mude, mas ele não muda.
– Um homem casa-se com uma mulher esperando que ela não mude, mas ela muda.

DIVIDINDO
– Uma mulher dividirá seus pensamentos e sentimentos mais profundos com um completo estranho que lhe dê atenção.
– Um homem só dividirá seus pensamentos e sentimentos mais profundos quando questionado por um advogado artimanhoso, sob juramento, e mesmo assim, apenas quando isso puder diminuir a sua pena.

AMIZADE
– A mulher encontra com outra na rua: ‘Nossa como você tá linda!!!’. Quando viram as costas vêm o comentário : ‘Nossa como ela tá gorda!’
– Um homem encontra com outro na rua: ‘Fala seu gordo-careca- bichona!!!’ Quando viram as costas vem o comentário: ‘pô esse cara é gente fina!’

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Passei por duras provas para conseguir meu diploma na escola da vida. Mas para entender as mulheres é preciso um estágio. Nesse quesito, eu sou um entusiasta da filosofia gelol: “Não basta ter pau, tem que participar!” Por isso, aceitei o desafio de passar um dia com um modess na cueca. A primeira menção do assunto modess me causa uma vontade de gargalhar irracional. Pois eu resolvi que já era hora de encarar esse trauma de forma mais íntima.

O primeiro passo foi comprar a pequena fralda na farmácia. Isso foi fácil. Na verdade, foi até divertido. Fiquei torcendo pra mulher do caixa perguntar, e eu responder de forma bem “casual”: “É pra sua namorada? “Não. É pra mim!” Só que ninguém nem tchuns, o que prova que as meninas ficam constrangidas à toa. Na verdade, menstruar é uma parada normal. Acontece nas melhores famílias. Comprei um não-sei-o-que “mini”. Não ligo pra grifes, ainda mais de modess. Mas nesse caso, o que importava era o tamanho. E era mini. Porque, se é pra eu fazer esse papel de usuário de absorventes, pelo menos que eu não passe por arrombado. E a diferença de bitola entre o mini e o super é significativa, o que me fez pensar sobre como algumas mulheres são maiores que as outras… Bom, comprei também um tablete Valda pra dar uma dechavada básica e fui pra casa realizar o sacrifício que me tornaria um membro da classe masculina mais compreensiva com o sexo oposto.

Chegando em casa, fui tentar abrir o pacote. Impulsivo por natureza, o homem não se dá ao trabalho de procurar linhas pontilhadas e, assim sendo, comecei abrindo errado. A abertura na horizontal tem um porquê, se adapta melhor à bolsa e deixa o absorvente mais à mão no caso de uma enxurrada inesperada. Mas eu ignorei, pois não uso bolsa. Ao retirar a peça do invólucro, você tem que descolar uma abinha para grudar na roupa íntima. Se a menstruação em si não lhe deixar “incomodada”, essa almofada intrusa no seu chakra genital com certeza vai. Calculei que o centro do modess ficasse na altura da “terra de ninguém”, de forma que ele não invadisse o território peniano. O saco reclamou um pouco, já que não se tratava de uma cueca duplex com teto solar. Um pouco de paciência e um pequeno remanejamento espacial e tudo estava resolvido.

A primeira coisa que se pensa ao compor o modelão usando absorventes externos é: “Será que está marcando?”. Por isso é essencial que você faça tudo com a companhia de um aliado. Assim, você vai poder contar com um correspondente nos países baixos, que vai lhe avisar caso o modess cisme em querer se destacar na sua bunda.

Ao sair de casa, fingi que não tinha um objeto parasitário ultrajando a minha intimidade. Mas parece que está piscando um outdoor na sua testa avisando “estou de chico”. E eu nem tava! Que absurdo… Até encontrar seu aliado(a), é sempre bom dar uma conferida nos reflexos que você encontrar pelo caminho, como espelhos e vitrines, pra ver se está marcando. Foda-se a queda na bolsa de Tóquio ou a reforma ministerial. O que importa é que ninguém perceba que você está naqueles dias. E a preocupação é uma constante. Não dá pra esquecer que seu fundilho está acolchoado.

Ao final de minha jornada, foi um alívio tirar o cuecão e zunir o modess no lixo. Claro que eu tive o cuidado de dobrá-lo e escondê-lo no canto do lixo, antes, envolvendo com muito papel higiênico para que ninguém se deparasse com aquele objeto indesejável depois do almoço. Daí eu entendi por que às vezes tem um montinho de papel enrolado num canto da cestinha do banheiro. Iuch!

Se eu tivesse que usar isso a cada ciclo, ia ter uma crise pré-menstrual que ia durar uns trinta dias por mês. E as mulheres nem ganham adicional por insalubridade.

Tenho horror à mulher perfeitinha.

Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura? Pois então, mulheres assim são um porre. Pior: são brochantes. Sou louco? Então tá, mas posso provar a minha tese. Quer ver?

1º. Escova toda manhã. A fulana acorda as seis da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit. Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão “Alisabel é que é legal”. Burra.

2º. Na moda: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle do mês. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar “desarrumada” nem enquanto tiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo perante o espelho do quarto. Credo.

3º. Sorriso incessante: ela mora na vila do Smurfs? Tá fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipático com orgulho – só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa, coitada.

4º. Bunda dura. As muito gostosas são muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico (isso quando não enfiam o dedo na garganta pra se livrar das 2 calorias que ingeriram), portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão. Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine do Iguatemi, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. Que beleza de mulher. E você reparou naquela bunda? Meu Deus.

Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? E estrias? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, estrias, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade…

São 6h. O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede.

Estou tão acabada, não queria ter que trabalhar hoje.

Quero ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando, até! Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles. Se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas. Aquário? Olhando os peixinhos nadarem. Espaço? Fazendo alongamento. Leite condensado? Brigadeiro.

Tudo menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro pra funcionar. Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindica direitos da mulher e por que ela fez isso conosco, que nascemos depois dela.

Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós, elas passavam o dia a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando crianças, freqüentando saraus, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária….

Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã tampouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconseqüentes com idéias mirabolantes sobre “vamos conquistar o nosso espaço”.

QUE ESPAÇO, MINHA FILHA.

Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo ao seus pés. Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, e se exibir para os amigos, que raio de direitos requerer? Agora eles estão aí todos confusos, não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo da cruz!

Essa brincadeira de vocês acabou é nos enchendo de deveres, isso sim!

E, PIOR, nos largando no calabouço da solteirice aguda. Antigamente, os casamentos duravam para sempre.

Por que, me digam por que, um sexo que tinha tudo do bom e do melhor,que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo? Olha o tamanho do bíceps deles, e olha o tamanho do nosso… Tava na cara que isso não ia dar certo.

Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, que sapatos, acessórios, que perfume combina com meu humor, nem de ter que sair correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas.

Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas a estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas, unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, e especialidades.

Viramos “super-mulheres”, mas continuamos a ganhar menos do que eles….

Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço?

CHEGA!

Eu quero alguém que abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela…

Ai, meu Deus, são 7h30, tenho que levantar!

E tem mais… que chegue do trabalho, sente no sofá, coloque os pés pra cima e diga “meu bem, me traz uma dose de whisky, por favor?”, pois eu descobri que é muito melhor servir.

Ou pensam que eu tô ironizando? Tô falando sério! Estou abdicando do meu posto de mulher moderna… Troco pelo de Amélia. Alguém mais se habilita? Antes eu sonhava, agora nem durmo mais.

Pesquisas sobre o pão indicam que:

1. 100% dos consumidores de pão acabam MORTOS.

2. 98,3% dos presidiários que cumprem pena por crimes violentos, são usuários de pão.

3. 85,2% de todos os alunos do ensino médio que obtém resultados insatisfatórios nas provas, consomem pão diariamente.

4. No século XVIII, quando todo o pão era preparado nas próprias residências, a expectativa de vida média era de menos de 50 anos. As taxas de mortalidade infantil eram absurdamente elevadas, muitas mulheres morreram no parto e doenças tais como a febres, tifóide, amarela, e surtos de gripe dizimaram cidades inteiras.

5. 92,7% dos crimes violentos são cometidos dentro de 24 horas depois da ingestão de pão.

6. O pão é feito basicamente de farinha de trigo. Está provado que menos de 500 gramas de farinha de trigo são suficientes para sufocar um rato. O indivíduo médio, que consome em média dois pães de cinqüenta gramas por dia, terá ingerido no final do mês farinha suficiente para ter matado seis ratos.

7. Sociedades tribais primitivas que não fazem uso do pão, apresentam baixa incidência, de câncer, do Mal de Alzheimer, de Parkinson e da osteoporose.

8. Está provado estatística e cientificamente que o uso do pão, causa dependência física e mental. Pesquisa feita em voluntários, revelou que 99,8% daqueles que foram submetidos a uma dieta forçada somente à base de água, imploraram por pão, em três dias ou menos.

9. O pão é um alimento freqüentemente utilizado em conjunto com outros alimentos pesados e prejudiciais à saúde, tais como a manteiga, queijo, geléia e aos embutidos ricos em gorduras e colesterol.

10. Testes científicos comprovaram que o pão absorve a água. Partindo do princípio que o mais 90% corpo humano é água, todo aquele que ingere pão, corre o risco de sofrer desidratação grave.

11. O pão é assado em fornos cujas temperaturas são mantidas acima de 200º Celsius. Essa temperatura pode matar um indivíduo adulto em menos de um minuto.

12. 58% dos indivíduos que consomem pão, são totalmente incapazes de distinguir entre fatos científicos comprovadamente significativos e baboseiras estatísticas sem sentido e manipuladas, como essa.

Estava eu assistindo tv numa tarde de domingo, naquele horário em que não se pode inventar nada o que fazer, pois no outro dia é segunda-feira, quando minha esposa deitou ao meu lado e ficou brincando com minhas”partes”.

Após alguns minutos ela veio com a seguinte idéia:

Por que não depilamos seus ovinhos, assim eu poderia fazer “outras coisas” com eles.
Aquela frase foi igual um sino na minha cabeça. Por alguns segundos fiquei imaginando o que seriam “outras coisas”.

Respondi que não, que doeria coisa e tal, mas ela veio com argumentos sobre as novas técnicas de depilação e eu imaginando as “outras coisas” não tive mais como negar.

Concordei. Ela me pediu que ficasse pelado enquanto buscaria os equipamentos necessários para tal feito. Fiquei olhando para TV, porém minha mente estava vagando pelas novas sensações que só acordei quando escutei o beep do microondas.

Ela voltou ao quarto com um pote de cera, uma espátula e alguns pedaços de plástico. Achei meio estranho aqueles equipamentos, mas ela estava com um ar de “dona da situação” que deixaria qualquer médico urologista sentindo-se como residente.

Fiquei tranqüilo e autorizei o restante do processo. Pediu para que eu ficasse numa posição de quase-frango-assado e liberasse o aceso a zona do agrião.

Pegou meus ovinhos como quem pega duas bolinhas de porcelana e começou a passar cera morna.

Achei aquela sensação maravilhosa!!

O Sr. Pinto já estava todo “pimpão” como quem diz: “sou o próximo da fila”!!

Pelo início, fiquei imaginando quais seriam as “outras coisas” que viriam.

Após estarem completamente besuntados de cera, ela embrulhou ambos no plástico com tanto cuidado que eu achei que iria levá-los para viagem.

Fiquei imaginando onde ela teria aprendido essa técnica de prazer: Na Tailândia, na China ou pela Internet mesmo.

Porém, alguns segundos depois ela esticou o saquinho para um lado e deu um puxão repentino.

Todas as novas sensações foram trocadas por um sonoro PUUUUTA QUEEEE O PARIUUUUUUU quase falado letra por letra.

Olhei para o plástico para ver se o couro do meu saco não tinha ficado grudado. Ela disse que ainda restaram alguns pelinhos, e que precisava passar de novo. Respondi prontamente: Se depender de mim eles vão ficar aí para a eternidade!!

Segurei o Dr. Esquerdo e o Dr. Direito em minhas respectivas mãos, como quem segura os últimos ovos da mais bela ave amazônica em extinção, e fui para o banheiro. Sentia o coração bater nos ovos. Abri o chuveiro e foi a primeira vez que eu molho o saco antes de molhar a cabeça. Passei alguns minutos só deixando a água gelada escorrer pelo meu corpo. Saí do banho, mas nesses momentos de dor qualquer homem vira um bebezinho novo: faz merda atrás de merda. Peguei meu gel pós barba com camomila “que acalma a pele”, enchi as mãos e passei nos ovos. Foi como se tivesse passado molho de pimenta. Sentei no bidê na posição de “lava xereca” e deixei o chuveirinho acalmar os Drs, peguei a toalha de rosto e fiquei abanando os ovos como
quem abana um boxeador no 10° round.

Olhei para meu pinto. Ele tão alegrinho minutos atrás, estava tão pequeno que mais parecia irmão gêmeo de meu umbigo. Nesse momento minha esposa bate na porta do banheiro e perguntou se eu estava passando bem. Aquela voz antes tão aveludada e sedutora ficou igual uma gralha.

Saí do banheiro e voltei para o quarto. Ela estava argumentado que “os pentelhos tinham saído pelas raízes, que demorariam voltar a nascer.”

Pela espessura da pele do meu saco, aqui não nasce nem penugem, meus ovos vão ficar que nem os das codornas “, respondi.

Ela pediu para olhar como estavam. Eu falei para olhar com meio metro de distância e sem tocar em nada e se ficar rindo vai entrar na PORRADA!!

Vesti a camiseta e fui dormir (somente de camiseta).

Naquele momento sexo para mim nem para perpetuar a espécie humana. No outro dia pela manhã fui me arrumar para ir trabalhar. Os ovos estavam mais calmos, porém mais vermelhos que tomates maduros. Foi estranho sentir o vento bater em lugares nunca antes visitados. Tentei colocar a cueca, mas nada feito. Procurei alguma cueca de veludo e nada. Vesti a calça mais folgada que achei no armário e fui trabalhar sem cueca mesmo.

Entrei na minha seção andando igual um cowboy cagado. Falei bom dia para todos, mas sem olhar nos olhos. Passei o dia inteiro trabalhando em pé com receio de encostar os tomates maduros em qualquer superfície.

Resultado, certas coisas devem ser feitas somente pelas mulheres. Não adianta tentar misturar os universos masculino e feminino.

Vão à merda…

– Vai, Horácio. Toma logo.

– Eu não tomo nada sem antes ler a bula. Cadê meus óculos?

– Pendurados no seu pescoço.

– Isso é ridículo, Maria Helena. Ridículo!!!

– Então, todos os homens da sua idade são ridículos. Porque todos estão tomando! E não me puxa esse lençol, fazendo o favor. Olha aí o bololô que você me faz nas cobertas!

– A humanidade conseguiu crescer e se multiplicar durante milênios sem isso. Nós dois crescemos e nos multiplicamos sem isso. Taí o Pedro Paulo, taí o Zé Augusto que não me deixam mentir. Fora aquele aborto que você fez.

– Horácio, eu não vou discutir isso com você agora. Toma logo esse negócio.

– Isso aqui faz mal pro coração, sabia? Um monte de gente já morreu tentando dar uma trepadinha farmacêutica.

– Foi por uma boa causa. E não faz mal coisa nenhuma. Só pra quem é cardíaco e toma remédio. Você não é cardíaco. Nem coração você tem mais.

– Não começa, Maria Helena, não começa.

– Pode ficar sossegado que você não vai morrer do coração por causa dessa pilulinha. Eu vi num programa do GNT um velhinho de 92 anos que toma isso todo dia.

– Sério?

– Preciso de sexo, Horácio.

– Mas hoje é segunda, Maria Helena…

– Quero trepar!!! Foder!!! Ser comida por um macho de pau duro!!!

– Francamente, Maria Helena, que boca. Parece que saiu da zona.

– Quero ser penetrada, quero gozar.

– O sexo é uma ditadura, Maria Helena A gente tá na idade de se livrar dela.

– Saudades da dita dura. Olha só, você me fez fazer um trocadilho de merda.

– Além do mais, Maria Helena, nós já tivemos um número mais do que suficiente de relações sexuais na vida, por qualquer padrão de referência, nacional ou estrangeiro. A quantidade de esperma que eu já gastei nesses anos todos com você dava pra encher a piscina aqui do prédio.

– Com o esperma que você ordenhou manualmente, talvez. O que o senhor gastou comigo não daria nem pra encher o bidê aqui de casa. Um penico, talvez. Até a metade.

– Maria Helena…

– E faz quase um ano que não pinga uma gota lá dentro!

– Sossega o facho, mulher. Vai fazer ioga, tai chi chuan. Já ouviu falar em feng shui, bonsai, shiatsu ? Arranja um cachorro. Quer um cachorro ? Um salsichinha?

– Quero um salsichão, Horácio. Olha aí: outra piadinha infame.

– É porque você está com idéia fixa nessa porcaria.

– Que porcaria?

– O sexo, Maria Helena, o sexo.

– Sabe o que mais que deu naquele programa sobre sexo, Horácio?

– Não estou interessado.

– Deu que as mulheres com vida sexual ativa têm muito menos chance de ter câncer. É científico.

– Come brócolis que é a mesma coisa, Maria Helena. Protege contra tudo que é câncer. Também é científico, sabia? E puxado no azeite, com alho, fica uma delícia.

– A que ponto chegamos, Horácio. Eu falando de sexo e você me vem com brócolis puxado no azeite!

– Com alho.

– Faça-me o favor, Horácio.

– Maria Helena, escuta aqui, você já tem 50 anos, minha filha, dois filhos adultos, já tirou um ovário, já…

– Não fiz 50 ainda. Não vem não. E o que é que filho e ovário têm a ver com sexo?

– Maria Helena, me escuta. Depois de uma certa idade as mulheres não precisam mais de sexo.

– Ah, não? Quem decidiu isso?

– Sexo nessa idade é pras imaturas. Pras deslumbradas, pras iludidas que não sabem envelhecer com dignidade.

– Prefiro envelhecer com orgasmos

– O que é que o Freud não diria de você, Maria Helena.

– E de você, então, Horácio? No mínimo, que você virou gay depois de velho. Boiola.

– Maria Helena! Faça-me o favor. Eu tenho que ouvir isso na minha própria casa, na minha própria cama,diante da minha própria televisão?

– Aliás, gay gosta de trepar. É o que eles mais gostam de fazer. Você virou outra coisa, sei lá o quê. Um pingüim de geladeira, talvez.

– Maria Helena, dá um tempo, tá? Tenho mais o que fazer.
– Fazer? Essa é boa. O que é que um bancário aposentado com salário integral tem pra fazer na vida, posso saber? Ficar jogando bilhar a tarde inteira?

– Sem comentários, Maria Helena, sem comentários.

– Tá bom, sem comentários. Bota os óculos e lê duma vez essa bendita bula.

– Só que precisa de dois óculos pra ler isso. Olha só o tamanhico da letra. Se é um negócio pra velho, deviam botar uma letra bem grande. Pelo menos isso.

– Vira o foco do abajur para cá… assim… melhorou?

– Abaixa essa televisão também. Não consigo me concentrar ouvindo novela. Mais. Mais um pouco.

– Pronto, patrãozinho. Sem som. Vai, lê duma vez.

– O princípio ativo do medicamento é o citrato de sildenafil.

– Sei.

– Veículos excipientes: celulose microcristalina…

– Celulose vem da madeira. Pau, portanto. Bom sinal.

– Onde foi parar a sua pouca educação, Maria Helena?

– Vai lendo, Horácio. Depois conversamos sobre a minha pouca educação..

– Cros… camelose sádica. Croscamelose. Castrepa, Maria Helena. Me recuso a tomar um troço com esse nome. Deve ser alguma secreção de camelo. Se não for coisa pior.

– Não é camelose. Num tá vendo aí? É caRmelose. Deve ser algum adoçante artificial. Pro seu pau ficar doce, meu bem.

– Putz. Só rindo mesmo. A menopausa acabou com a sua lucidez, Maria Helena.

– Troco toda a lucidez do mundo por um pau tinindo de tesão por mim.

– Absurdo, absurdo.

– Que mais, que mais, Horácio?

– Dióxido de titânio.

– Ah, titânio. Pro negócio ficar bem duro.

– índigo carmim…

– índigo? Deve ser o que dá o azul da pilulinha.

– Será que esse negócio não vai deixar o meu pau azul, Maria Helena?

– E daí, se deixar? Você não sai por aí exibindo o seu pênis, que eu saiba. Ou sai?

– Mas, e se eu for a um mictório público? o que é que o cara ao lado não vai pensar do meu pinto azul?

– Diz que você é um alienígena, ora bolas. Que o seu corpo está pouco a pouco se adaptando à Terra, que ainda faltam alguns detalhes. Ou explica que você é um nobre, de sangue e pinto azul. Ou não diz nada, ora bolas. Acaba de mijar, guarda o pinto azul e vai embora, pô.

– Escuta. Agora vem a parte que explica como esse petardo funciona.

– Isso. Quero ver esse petardo funcionando direitinho.

– Presta atenção. ‘O óxido nítrico, responsável pela ereção do pênis,ativa a enzima guanilato ciclase, que, por sua vez, induz um aumento dos níveis de monofosfato de guanosina cíclico, produzindo um relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos do pênis e permitindo assim o influxo de sangue:’ Cacete. Corpos cavernosos Já pensou, Maria Helena? Corpos cavernosos sendo inundados de sangue? Puro Zé do Caixão.

– Corpo cavernoso só pode ser herança do homem das cavernas. Vocês homens evoluem muito lentamente.

– Pára de viajar, Maria Helena. Parece que fumou maconha.

– Não era má idéia. Pra relaxar. Vou roubar do Pedro Paulo. Eu sei onde ele esconde. Podíamos fumar juntos.

– Eu já tô relaxado. Tô até com sono, pra falar a verdade.

– Lê, lê, lê, lê aí. Você já dormiu tudo a que tinha direito nessa vida.

– Vou ler. ‘Todavia, o sildenafil não exerce um efeito relaxante diretamente sobre os corpos cavernosos..:’

– Não?

– Não, Maria Helena. Ele apenas ‘aumenta o efeito relaxante do óxido nítrico através da inibição da fosfodiesterase- 5, a qual’ – veja bem, Maria Helena, veja bem – ‘a qual é a responsável, pela degradação do monofosfato de guanosina cíclico no corpo cavernoso?’. Ouviu isso?

– Degradação, Maria Helena. Dentro dos meus próprios corpos cavernosos. Degradante..

– Degradante é pau mole.

– Olha o nível, Maria Helena! Olha o nível!! Vamos ver os efeitos colaterais. Olha lá: dor de cabeça. Você sabe muito bem que se tem uma coisa que eu não suporto na vida é dor de cabeça.

– Na cultura judaico-cristã é assim mesmo, Horácio. Pra cabeça de baixo gozar, a de cima tem que padecer.

– Não me venha com essa sua erudição de internet, Maria Helena. Estamos off-line.

– Deixa de ser criança, Horácio. Se der dor de cabeça você toma um Tylenol, reza uma ave-maria, canta o ‘Hava Naguila’ que passa.

– Outro efeito colateral: rubor. Rá, rá. Vou ficar com cara de quê, Maria Helena? De camarão no espeto?

– Se for camarão com espeto, tá ótimo. Que mais, que mais?

– Enjôos. Ó céus! Enjôos…

– Você sempre foi um tipo enjoado, Horácio. Ninguém vai notar a diferença.

– Vamos ver o que mais… hum.. dispepsia. Que lindo. Vou trepar arrotando na sua cara.

– Você me come por trás. Arrota na minha nuca.

– É brincadeira… É essa a sua idéia de amor, Maria Helena?

– Isso não tem nada a ver com amor, Horácio. Já disse: é profilaxia contra o câncer. E arrotar, você já arrota mesmo o dia inteiro, sem a menor cerimônia. Na mesa, na sala, em qualquer lugar.

– Como se você não arrotasse, Maria Helena.

– Mas não fico trombeteando os meus arrotos. Isso é coisa de machão broxa. Em vez de trepar com a esposa, fica arrotando alto pra se sentir o cara do pedaço.

– Como você é simplória, Maria Helena, como você é… menor. Desculpe, mas acho que o seu cérebro anda encolhendo, sabia? Ou mofando. Ou as duas coisas.

– Vai, Horácio, chega de conversa mole. E de pau idem. Pula os efeitos colaterais.

– Como , ‘pula os efeitos colaterais’? É porque não é você quem vai tomar essa meleca, né? Vou ler até o fim. Os efeitos colaterais são a parte mais importante. Olha lá: gases. Que é que tá rindo aí?

– Do efeito cu-lateral. Desculpa. Esse foi de propósito. Não agüentei..

– Admiro seu humor refinado, Maria Helena. Torna você uma mulher tão mais sedutora, sabia?

– Obrigada, Horácio.’Agora, quanto aos seus gases, pode relaxar o esfíncter, meu filho. Numa boa. Tô tão acostumada que até sinto falta quando estou sozinha. Sério. Fico pensando: Ah, se o Horácio estivesse aqui agora pra soltar uma bufa de feijoada com cerveja na minha cara…

– Maria Helena, qualquer dia você vai ganhar o Oscar da vulgaridade universal.

– Vou dedicar a você.

– Vamos ver que mais temos aqui em matéria de efeitos colaterais. Ah! Congestão nasal. Que gracinha. Vou ficar fanho, que nem o Donald. Qüém,qüém. Qüém.

– Um pateta com voz de pato. Perfeito.

– Ridículo. Absurdo. Idiota.

– Ridículo você já é, Horácio. E quem não é? Além do mais, é só calar a boca que você não fica fanho.

– Ah, tá. E se eu quiser falar alguma coisa na hora?

– Você não diz nada de interessante há mais de dez anos, Horácio. Vai dizer justo na hora de trepar?

– Eu não nasci para dizer coisas interessantes a você, Maria Helena.

– Já percebi.

– Hum. Ouve só; diarréia!

– Quê?

– É outro efeito colateral dessa bomba aqui. Fala sério, Maria Helena. Isto aqui é um veneno. Não sei como eles vendem sem receita.

– Deixa de ser pueril, Horácio. Magina se alguém vai ter todos os efeitos colaterais ao mesmo tempo. No máximo um ou dois.

– A caganeira e os arrotos, por exemplo? Ou a ânsia de vômito e os gases?

– Faz um cocozinho antes. Pra esvaziar! Agora, Horácio. Eu espero.

– Eu não estou com vontade de fazer cocozinho nenhum, Maria Helena. Faça-me o favor. E olha aqui, mais um efeito colateral: visão turva.

– Você bota os seus óculos de leitura. E que tanto você quer ver que já não viu?

– Maria Helena, você não entendeu? Essa droga perturba seriamente a visão. Vou ficar cego por sei lá quantas horas, quantos dias. E tudo por causa de uma reles trepadinha? E se a minha visão não voltar? Vou andar de bengala branca pro resto da vida?

– Pode deixar que eu guio a sua bengala, Horácio. Olha, pensa no lado bom da cegueira: você vai poder me imaginar 20 anos mais moça. Trinta, se quiser.

– Maria Helena, desisto. Não vou tomar essa porcaria e tá acabado.

– Dá aqui essa cartela, Horácio. Abre a boca. Pronto. Engole. Olha a água aqui. Isso. Que foi? Engasgou, amor?! Tosse pra lá,ô! Me borrifou toda! Que nojo! Quer que bata nas suas costas? Ai, meu Deus! Horácio? Você está bem ? Respira fundo! Isso, isso… E aí, amor? Melhorou? Morrer afogado num copo d’água ia ser idiota demais, até prum cara como você.

– Arrr! E com essa pílula monstruosa entalada na garganta, ainda por cima! Ufff! Me dá mais água

– Quanto tempo isso aí demora pra fazer efeito?

– Isso aí o quê?

– A pílula, Horácio, a pílula.

– E eu sei lá?

– Vê na bula, Horácio.

– Hum… tá aqui: 30 minutos.

– Ótimo. Dá tempo de ver o fim da minha novela.

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