Por José Augusto de Oliveira

O homem abriu os olhos e viu a natureza em toda a sua abundância e plenitude. Um paraíso. E viu o homem que era bom. Este foi o seu primeiro dia.

O homem viu que estava só. Então criou a mulher. E viu o homem que era bom. Este foi o seu segundo dia.

O homem viu as árvores e os animais se reproduzirem. Acasalou-se com a mulher e povoou a terra com sua semente. E viu o homem que era bom. Este foi o seu terceiro dia.

O homem sentiu a necessidade de alimentar-se e defender-se das agressões da natureza. Inventou as ferramentas de trabalho e de defesa. Viu o homem que era bom. Este foi o seu quarto dia.

O homem descobriu que sentia dor e prazer. Viu o homem que era bom. Este foi o seu quinto dia.

O homem sentiu que podia dominar toda a natureza e o próprio homem. Viu o homem que era bom. Este foi o seu sexto dia.

O homem compreendeu que podia morrer e criou deus como sua salvação. O inferno instalou-se na natureza e a morte continuou reinando com mais intensidade. Sentiu que tinha cometido a maior asneira.

Então arrependeu-se o homem de haver criado deus sobre a terra, e pesou-lhe sobre o coração. Amaldiçoou-se. Não teve mais descanso a partir do sétimo dia.

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